Haruki Murakami é sem sombra de dúvida um dos escritores de culto da actualidade. As personagens invulgares, os enredos fantásticos, a complexidade dos diálogos são atributos que nunca faltam nas suas obras. São as marcas distintivas de um autor já consagrado.
O meu primeiro contacto com a escrita de Haruki Murakami não foi dos mais memoráveis. "Sputnik, Meu Amor" foi a primeira obra que "li". Lembro-me de pensar que aquele estilo de escrita não era para mim. Não conseguia embrenhar-me na história. Não havia qualquer tipo de relação entre mim e aquele livro. Por isso desisti de o ler e procurei uma leitura mais segura.
Voltei a reencontrar Murakami numa ida a uma livraria um ano depois. "A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol" estava bem posicionado na prateleira. Como não tinha nenhum livro em mente, resolvi dar uma segunda oportunidade à escrita e de certa maneira ao escritor.
O primeiro encontro foi um desastre. O segundo foi amor à primeira vista. Submergi de tal forma no mundo que Haruki Murakami criou que foi difícil voltar à realidade. Percebi que não estava preparada da primeira vez para compreender a escrita deste autor. Haruki Murakami é complexo e denso no seu processo criativo, ainda que muitas vezes escolha o modo mais fácil para transmitir a ideia. As obras exigem leitores inteligentes, talvez até com uma certa flexibilidade mental para entrar no mundo Murakami e não tomar nada como garantido.