sábado, 1 de junho de 2013

Nas Escolas...

A educação é uma das questões mais debatidas em Portugal. A falta de interesse demonstrada pelos alunos, as condições pouco favoráveis de algumas escolas, a falta de vocação para ensinar (nem todas as pessoas que se formam e estão aptas para iniciar a carreira docente têm talento para ensinar) são aspectos que tornam o ensino em Portugal pouco apelativo. 
Sempre cultivei a esperança de que algum dia os alunos e os professores pudessem trabalhar em conjunto de forma a criar um espaço agradável e que não fosse visto como uma obrigatoriedade. Durante o meu percurso académico, senti muitas vezes que estava ali a cumprir um dever e que a aprendizagem assemelhava-se a um castigo e não a um direito fulcral no desenvolvimento do ser humano. 
Continuo a lamentar que o ensino seja encarado desta maneira. Quando deparados com o insucesso dos alunos nas duas grandes áreas disciplinares, Língua Portuguesa e Matemática, o Ministério da Educação resolveu aumentar a carga horária e sobrecarregar os alunos com mais aulas extra ou aulas de apoio, como queiram chamar. O sucesso parte do individual para o colectivo. Tem de haver vontade e desejo de evoluir positivamente e ter em conta as capacidades de aquisição de conhecimento de cada indivíduo. A forma como as matérias são expostas tem o seu "quê" de questionável e pode ser considerada um entrave na progressão do estudante.
Mas existem sempre excepções à regra. Conheço professores magníficos, dotados de uma grande capacidade comunicativa e que fomentam o interesse dos estudantes que têm o privilégio de assistir às aulas. Assim como alunos exemplares que melhoram a educação em Portugal e tornam o ensino muito mais competitivo e útil. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Inspiração

A inspiração ocupa um lugar especial no processo criativo de qualquer escritor/pintor/compositor, entre tantos outros. Um filme, um livro, uma música, tudo serve de inspiração para o começo de uma criação. Ultimamente tenho concentrado toda a minha atenção em séries e filmes com um toque de mistério. Isto porque procuro criar algo com essa mesma característica. Não é fácil decidir os momentos em que quero revelar algumas informações e aqueles em que preciso de manter a ideia em suspenso.
O processo de escrita engloba muita leitura em voz alta. Essa é uma das minhas técnicas. Gosto de ler em voz alta o que escrevo e se não me soa bem, procuro um caminho alternativo sem fugir da ideia principal. A linguagem também é importante pelo que tento que certa personagem "fale" de acordo com as suas características. A escolha de palavras é essencial logo ter um dicionário à mão é quase obrigatório.

Vou estar um pouco menos ocupada nestes meses de Verão, logo, darei preferência à minha escrita e ao blog. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eu Simplesmente Amo-te

Sou uma profunda admiradora de Pablo Neruda e por acaso encontrei este pequeno excerto quando realizava uma pesquisa. Não sou uma pessoa romântica, confesso, mas achei esta passagem tocante. O ser humano tem destas coisas... 


"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se".


Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" 

sábado, 11 de maio de 2013

Sugestão Musical da Semana



Honestamente não sou grande fã de música dita electrónica mas a música "Don't you worry child" dos Swedish House Mafia conquistou um lugar especial na minha lista de músicas a ouvir enquanto trabalho. Gosto da mensagem positiva que transmite. É sempre bom quando a letra tem significado.

Bom resto de fim de semana :)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Elizabeth Eleanor Siddal


Dead Love

Oh never weep for love that’s dead 
Since love is seldom true 
But changes his fashion from blue to red, 
From brightest red to blue, 
And love was born to an early death 
And is so seldom true. 

Then harbour no smile on your bonny face 
To win the deepest sigh. 
The fairest words on truest lips 
Pass on and surely die, 
And you will stand alone, my dear, 
When wintry winds draw nigh.

Sweet, never weep for what cannot be, 
For this God has not given. 
If the merest dream of love were true 
Then, sweet, we should be in heaven, 
And this is only earth, my dear, 
Where true love is not given. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dicotomias

Gosto de escrever sobre dicotomias ainda que elas não sejam totalmente explícitas. Ultimamente o meu interesse recai sobre um homem e uma mulher que vivem vidas completamente diferentes. Ele está habituado a ter tudo. Ela já nasceu sem nada. Ele é o típico homem pelo qual todas as mulheres se sentem atraídas. Ela não tem qualquer tipo de charme.
Considero que seja um cliché, aliás, a minha intenção ao utilizar dicotomias nunca foi criar algo original. Na minha opinião é o enredo que determina se é um bom ou um mau cliché. O mesmo se aplica às personagens. As dicotomias ajudam o escritor a definir uma certa personalidade.
Acho quase uma missão impossível criar uma boa história onde as personagens são iguais. Vêem as mesmas coisas, sabem as mesmas coisas, pensam da mesma maneira... Tem de existir o lado desequilibrado da balança para que o leitor perceba que houve uma transformação. A dicotomia já não é tão evidente. Alguém contrabalançou o jogo e agora estão ambos numa boa posição para fazer xeque-mate.

domingo, 7 de abril de 2013

Colecção Haruki Murakami (Parte 2)

Haruki Murakami é sem sombra de dúvida um dos escritores de culto da actualidade. As personagens invulgares, os enredos fantásticos, a complexidade dos diálogos são atributos que nunca faltam nas suas obras. São as marcas distintivas de um autor já consagrado.
O meu primeiro contacto com a escrita de Haruki Murakami não foi dos mais memoráveis. "Sputnik, Meu Amor" foi a primeira obra que "li". Lembro-me de pensar que aquele estilo de escrita não era para mim. Não conseguia embrenhar-me na história. Não havia qualquer tipo de relação entre mim e aquele livro. Por isso desisti de o ler e procurei uma leitura mais segura.
Voltei a reencontrar Murakami numa ida a uma livraria um ano depois. "A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol" estava bem posicionado na prateleira. Como não tinha nenhum livro em mente, resolvi dar uma segunda oportunidade à escrita e de certa maneira ao escritor.
O primeiro encontro foi um desastre. O segundo foi amor à primeira vista. Submergi de tal forma no mundo que Haruki Murakami criou que foi difícil voltar à realidade. Percebi que não estava preparada da primeira vez para compreender a escrita deste autor. Haruki Murakami é complexo e denso no seu processo criativo, ainda que muitas vezes escolha o modo mais fácil para transmitir a ideia. As obras exigem leitores inteligentes, talvez até com uma certa flexibilidade mental para entrar no mundo Murakami e não tomar nada como garantido.